Ao longo da gravidez vais ter várias consultas e é natural questionares-te sobre quantas são necessárias. A resposta é que não existe um número único que seja adequado para todas as mulheres. Numa gravidez de baixo risco existe um calendário orientador, mas o acompanhamento deve adaptar-se à tua história de saúde, à evolução da gravidez e também às necessidades que vais sentindo ao longo destes meses.
Quantas consultas devo ter durante a gravidez?
Última atualização em 17 de agosto de 2026
Em Portugal
O Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco recomenda que a primeira consulta aconteça o mais cedo possível, idealmente até às 12 semanas. Depois disso, as consultas tendem a tornar-se progressivamente mais frequentes: aproximadamente a cada 4 a 6 semanas até às 30 semanas, a cada 2 a 3 semanas entre as 30 e as 36 semanas e a cada 1 a 2 semanas após as 36 semanas até ao nascimento.
A Ordem dos Enfermeiros mais recentemente propõe um modelo de acompanhamento com 14 consultas de assistência pré-natal, presenciais ou por teleconsulta que incluem a promoção da adaptação à gravidez e vigilância da evolução da gravidez, preparação para o parto, promoção e adaptação à parentalidade e por fim a recuperação pós-parto. Também aqui existe uma ideia muito importante: o momento e a frequência das consultas devem ser ajustados às necessidades específicas de cada grávida.
Uma consulta de gravidez é muito mais do que pesar, avaliar a pressão arterial, pedir análises ou avaliar o crescimento do bebé. É também um momento para falares sobre aquilo que estás a sentir, esclareceres dúvidas, compreenderes as mudanças do teu corpo, preparares o nascimento e participares nas decisões sobre os teus cuidados.
E na gravidez de risco?
O risco da gravidez não é uma classificação feita apenas no início e que fica igual até ao nascimento. Em cada consulta, a equipa volta a avaliar a tua saúde e a do bebé. À medida que a gravidez avança, vão surgindo novas informações, através daquilo que contas, da observação, das análises, das ecografias e de outros exames. Se em algum momento for identificado um fator que necessite de uma vigilância diferente, o plano de acompanhamento pode ser ajustado. Poderá ser necessário, por exemplo, envolver um obstetra, caso não seja este o profissional que acompanha habitualmente a gravidez, ou referenciar-te para cuidados hospitalares. Isto permite que, em cada momento, tenhas acesso aos cuidados mais adequados às tuas necessidades e às do teu bebé.
O mais importante
Mais importante do que contares quantas consultas já tiveste é perceberes se o acompanhamento está a responder às tuas necessidades. Pode haver momentos em que precises de ser acompanhada com maior frequência, esclarecer mais dúvidas ou simplesmente sentir que necessitas de mais apoio. Uma vigilância de qualidade também se constrói a partir daquilo de que tu e a tua família precisam.
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Acompanhamento de gravidez
- EMEnf.ª Margarida LançaEnfermeira Especialista em Saúde Materna e ObstétricaMarcar